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Yogaterapia
Integrativa: |
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Uma Abordagem do Yoga para o
Terceiro Milênio
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Yogaterapia Integrativa
foi um termo cunhado pelo professor
Joseph LePage (45), americano, com formações
nas áreas de Psicologia e Pedagogia, e com mais de
20 anos de vivência na área do Yoga. Fundador do Integrative
Yogatherapy sediado na Califórnia
(USA), vem desde o ano retrasado ao Brasil ministrar cursos de formação
e graduação
em Yogaterapia para professores
de Yoga, sob a organização do Centro de
Yoga e Terapias Holísticas ShivaShakti.
No movimento que
vem sendo efetuado há cerca de 50 anos para
cá no campo da difusão da espiritualidade, no sentido de
se aproximar Oriente e Ocidente,
tem-se procurado somar o que há de
melhor em cada um, para assim poder otimizar as técnicas
e seus resultados.
No Yoga, esta
“simbiose” também não podia deixar de ocorrer. Os
conhecimentos ocidentais tem servido para
comprovar, respaldar e corroborar as milenares
teorias e técnicas de que o Yoga dispõe, e para incrementar
a eficácia destas mesmas
técnicas mediante o auxilio de
outras tantas técnicas desenvolvidas no Ocidente.
Hoje, no meio
do Yoga, além de Patanjali, asanas e pranayamas,
também já se ouve falar em Reich, Lowen, Feldenkreis, RPG,
Anti-ginástica, Alexander, Eutonia, Rolfing... numa busca de
se encontrar uma linguagem comum que venha enriquecer
todos os caminhos, e passar eficientemente
a grande mensagem que é a do homem holístico
que caminha rumo à plenitude, à Unidade.
E a grande mensagem
do Yoga é justamente a de não “vender
um peixe” específico, dogmático ou sectário, e sim, traçar
diretrizes amplas, porém
bem fundamentadas, que levem em consideração que cada um é um
conjunto de corpo-mente-emoção-espírito, uno em essência
com seu semelhante, mas profundamente singular em sua manifestação.
Esta singularidade
- aliada ao contexto ambiental e histórico
em que o homem moderno se encontra , com todas as suas peculiaridades e desequilíbrios
sociais, políticos, ecológicos, psicológicos, etc.
- tem feito com que o Yoga tenha que se
adaptar e se capacitar mais para atender mais eficientemente à demanda
corpo/mente/emoção/espírito deste homem moderno
estressado , desarmonizado e desequilibrado.
Este esforço
para otimização do trabalho do Yoga, unindo
Oriente e Ocidente, tem sido realizada por várias pessoas e grupos
em vários países do mundo, gerando os mais diversos estilos
de trabalho, dependendo da bagagem
de quem fez a
“releitura” do Yoga.
Na Yogaterapia
Integrativa este trabalho holístico é feito
sem que se perca de vista a espinha-dorsal do Yoga, que é
a sua filosofia, a sua ética
e o seu embasamento teórico. Patanjali ainda
é a mola-mestra da maioria das escolas de Yoga, embora muitas vezes não mais sob os auspícios
da escola Samkhya (a filosofia
dualista que embasa Patanjali em seu “Yoga Sutras”), e sim sob uma
visão não-dual da Unidade (mais afeita portanto, à
visão da Vedanta).
Yogaterapia Integrativa
é Hatha-Yoga, na medida em que utiliza
seu instrumental: asanas (posturas), pranayamas (respiração),
mudras (gestos psicossomáticos),
bandhas (contrações), kriyas (limpezas) e yoga nidra (relaxamento),
para manter e/ou restaurar a saúde fisica.
É
Tantra Yoga, na medida em que busca a saúde
mental, emocional e energética através do reequilíbrio
da personalidade por meio da utilização
do instrumental do Hatha-Yoga (de maneira bastante
mais ampla) e de diversas técnicas que trabalham as
dimensões mais sutis de
cada um, estudando e trabalhando profundamente o funcionamento e a importância
de
elementos tais como: os tanmatras
(os órgãos dos sentidos), os mahabhutas
(os 5 elementos), indriyas (órgãos de conhecimento e ação),
as gunas (visão dialética tríplice da Criação),
os koshas e shariras
(os corpos), os chakras (centros energéticos), as nadis (condutos
de energia), os pranas (energia vital), a kundalini,
etc.
E é também
Medicina Ayurvédica (Medicina tradicional indiana) na medida em
que leva em conta a avaliação e o reequilibrio dos 3 princípios
ayurvédicos: vata (ar), pitta (bilis) e kapha (fleuma). E o Hatha Yoga
consta entre o arsenal utilizado por esta importante
vertente da Medicina.
Yogaterapia Integrativa
é profundamente interagente com
a Medicina ocidental, com a Fisioterapia, com a Educação
Física e com a Nutrição,
na medida em que trata (também) do corpo físico,
e exige do profissional sólidos conhecimentos de Anatomia e Fisiologia.
Interage também
com a Psicologia ocidental, na medida em que o Tantra é
a própria Psicologia hindu, exigindo do profissional
fundamentos das principais
escolas psicoterapêuticas ocidentais (que de uma forma ou de outra,
tem seu pé no Oriente).
Interage ainda
com a Educação, visto que Yoga é fundamentalmente
(re)educação, exigindo do profissional conhecimentos de Pedagogia e de
Didática.
E, por
fim, (e sobretudo) YI é uma terapia eminentemente holística
e “aquariana” na medida em que está
aberta para lançar mão de técnicas e treinamentos
psico-físicos ocidentais que no final das contas, direta ou indiretamente,
também tem seu berço no Yoga e só vem
confirmar sua eficácia, fazendo ver aos ocidentais
que Yoga não é só “coisa de gente mística”.
É interessante
fazer aqui um pequeno retrospecto histórico,
e colocar para os leitores que o Hatha Yoga tal como hoje
o conhecemos, com sua metodologia e sua estrutura de
aulas (geralmente coletivas ou individuais com sistema de fichas), é
coisa relativamente recente (algo em torno
das primeiras décadas deste século).
Tradicionalmente, o aprendizado de Hatha Yoga era feito individual e oralmente,
tendo gerado, entre outros,
3 textos principais e mais famosos: o Hatha
Yoga Pradipika (escrito pelo sábio Swatmarama, por volta do
século XV), o Gherandha Samhita
(diálogos do sábio Gheranda com seu discípulo
Chanda Kapali) e o Shiva Samhita.
Na verdade, a
aparição do Hatha Yoga está relacionada com um sábio
chamado Gorakhnath, que viveu por volta do século XII e deixou um texto
intitulado “Gorakshasataka” de onde o H.Y.Pradipika
e o Gherandha Samhita teriam derivado. De qualquer forma,
a tradição hindu considera o Hatha Yoga
como tendo sua gênese no Tantra, reportando-nos mitológicamente
aos diálogos entre Shiva e sua consorte Parvati.
E
o Hatha Yoga adotou Patanjali como seu referencial (o Gherandha
Samhita deixa isso bem claro), e algumas escolas tântricas (como
o Dakshina Tantra,
o “Tantra da mão direita”) que utilizavam o mesmo instrumental que
o Hatha (asanas, pranayamas,etc.)
continuaram com seus textos específicos
(como p.ex. os Tantras e as Yogopanishads), desenvolvendo-se completamente
à parte do texto
e da filosofia do grande rishi, pois enquanto
o Yoga de Patanjali é dualista o Dakshina Tantra é monista,
unicista.
Provavelmente,
como os “Yoga Sutras” de Patanjali (que
na verdade versam mesmo é sobre Raja Yoga, o
“Yoga Real” ou Yoga da meditação) apresentam um corpo de conhecimento
ético e psicológico extremamente completo, complexo e profundo,
e como Patanjali cita asana e pranayama em seu “ashtanga”
(a ascese dos oito passos), o Hatha Yoga
tomou este texto como seu foco balizador. O Hatha Yoga
não deixa de ser uma forma resumida do Tantra,
cuja finalidade principal é preparar o corpo para a meditação
(Raja Yoga), como aliás
deixa claro o Gerandha Samhita.
Como dizia acima,
a estruturação pedagógica e metodológica do Yoga que conhecemos
atualmente, se desenvolveu
recentemente, apresentando abordagens e estilos mais ou menos
característicos (deixando em aberto a questão
se de fato existe realmente um Hatha Yoga
“clássico”), e pondo em evidência
nomes como: Swami Sivananda
(e seus principais discípulos, tais como S.Satyananda,
S. Vishnudevananda e S. Satchidananda),
que deu um enorme impulso ao Hatha Yoga, trazendo para o ocidente o modelo de aulas
coletivas com séries pré-estabelecidas; Shri Yogendra, que
instituiu
o método
de fichas individualizadas, desenvolvendo
e divulgando intensamente a Yogaterapia; T.Krishnamacharya e seus filhos, que desenvolveram
a técnica de Vinyoga, onde em cada
aula enfoca-se uma só asana, desenvolvendo-se uma sequência
de posturas que preparam o corpo para a asana objetivada; e B.K.S. Iyengar,
que, na minha opinião, é o grande responsável pelo
que poderíamos chamar de “modernização” do Yoga no
que tange ao aspecto físico, de saúde.
Iyengar ousou
utilizar “ferramentas”(almofadas, blocos, cavaletes, cordas,etc.) para
facilitar a prática
dos emperrados ocidentais que à ele
afluem abundantemente.
E o trabalho da
Yogaterapia Integrativa deve muito ao trabalho
de todos estes Mestres, e bebe de todos
os textos, indistintamente.
Sem abandonar
o espírito do Yoga, a YI sem preconceitos ou exagerados purismos,
utiliza de variado instrumental de apoio físico (almofadas, bolas gymball,
apoios de isopor e bambu, bolas de tênis, etc.); de variadas
técnicas modernas derivadas do
Hatha Yoga tradicional (yoga em duplas,
mandala yoga, yoga restaurativa, yogassage,etc.) e variadas técnicas
ocidentais e orientais para a conscientização, sensibilização
e reequilibrio fisico/psicológico/emocional (vivências com os 5 elementos,
com os chakras, com os 3 doshas,
com as 3 gunas, com os 5 koshas, além de meditações
e relaxamentos), sempre buscando
unir o que há de melhor e mais eficaz neste
encontro entre Ocidente e Oriente. Toda esta “tecnologia”
permite que seja feito um trabalho coletivo
ou individual - sempre dentro de uma abordagem
absolutamente personalizada - alcançando uma alta eficácia
nos casos que mais acometem e afligem o homem moderno: o malfadado stress,
as terríveis dores na coluna e os preocupantes problemas cárdio-vasculares,
respiratórios e
digestivos, entre
muitos outros.
É importante
frisar insistentemente, que todo este trabalho
gravita em torno da idéia da Unidade, da busca
da plenitude total (sem que isto
seja um exercício necessariamente religioso), e não
apenas na conquista do alívio de alguma dor.
A grande beleza deste método está no fato de o
Yoga abrir um grande e fraterno leque, absolutamente eclético e
ecumênico, que vem atender
de forma integrada e profunda à todas
as nossas características, diferenças
e necessidades.
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