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Yoga, Esporte e Musculação
O boom que hoje
presenciamos da enorme proliferação das Academias de
Musculação , vem sinalizar mais um aspecto preocupante dentro
do difícil e complicado cenário deste final de milênio.
Quando a busca
da felicidade, ou mais especificamente,o resgate da auto-estima,
é direcionada e buscada tendo como referência apenas o desenvolvimento
da estética corporal, a única coisa que realmente se obtém
é
o incremento de uma vaidade fútil e a vazia inflação
do ego.
Quando este fato
está associado a uma prática anti-fisiológica, o panorama é
ainda mais perigoso.
No caso das Academias
de Musculação, a busca desta estética corporal (estética
esta, diga-se de passagem, de gosto absolutamente discutível), passa
fundamentalmente por um processo agressivo de hipertrofia
muscular.
A hipertrofia
muscular é o aumento do volume muscular em função
de exercícios com movimento e carga, feito com pesos ou aparelhos.
Esta hipertrofia
muscular só deveria ser promovida sob indicação terapêutica
em casos muito específicos, como por exemplo: longos períodos
com gesso após fraturas, onde se perde massa muscular, ou
para estabilizar articulações (como, p.ex., o joelho) em
casos de lesões ligamentares ou cartilaginosas, ou ainda em
determinados problemas congênitos.
Os trabalhos de
hipertrofia, por encurtarem a musculatura, agridem as articulações
comprimindo-as, tornando seus cultores potenciais vitimas de problemas
articulares, como por exemplo, artroses e artrites.
O Yoga preconiza
que a saúde muscular está associada ao alongamento de
suas fibras e a promoção da força da musculatura (o que não
significa necessariamente aumento do volume muscular). E ensina
também que a felicidade e a saúde fisica / mental / emocional
/ energética estão associadas a uma profunda e rica integração
da pessoa consigo mesma, com o meio e com seus semelhantes.
Não é
que as Academias não atuem com alongamento muscular. Mas esta atividade
quando realizada sem um trabalho concomitante de consciência
corporal, respiração e relaxamento, tem sua eficácia
reduzida no que se refere ao ganho de alongamento muscular em si, e apresenta
pouca abrangência em termos de um trabalho mais
global e integral.
No Yoga, a auto-estima
é fomentada, não por meio exclusivamente do desenvolvimento
da beleza física (embora esta não seja desprezada, conquanto perecível),
mas por meio da gradual expansão do espaço
interior em função de uma saudável atividade física,
intelectual e afetiva. O
desenvolvimento da inteligência e da cultura, da vida criativa, da
intuição e da capacidade de amar e se doar, fazem o ego estar
equilibrado e instrumentalmente eficiente, mantendo-se firme e centrado
sem ser inflado, e pacífico e manso, sem ser débil.
Segundo o Yoga,
a atividade física deve visar o desenvolvimento integral do ser
humano, começando por um bom nível de consciência corporal,
passando pelo domínio da respiração, alongamento muscular, aprendizado
do relaxamento e prática da meditação, sempre embasada
na idéia de que o Yoga é um processo (e não somente uma técnica)
que trabalha inevitavelmente de dentro para fora e de fora para
dentro.
A prática
do Yoga repousa fundamentalmente sobre o trinômio consciência
/ intenção / vontade. Este importante tripé é
que possibilita o “link” entre
as diversas dimensões e aspectos pessoais que são mobilizados
pela atuação holística do Yoga.
O Yoga já
sabia, e o Dr. Wilhelm Reich respaldou e corroborou, que nossa vida psíquica
e emocional se escreve em nosso corpo - postura
e musculatura.
Repressões,
traumas e desequilíbrios, criam, ao longo do tempo, couraças musculares.
O trabalho de hipertrofia muscular também
é um promotor de couraças.
Quando alongamos
a musculatura, além de liberarmos a pressão das articulações
e promovermos uma correta postura, também dissolvemos os
nós internos que encouraçam os músculos, processando
e liberando material inconsciente.
Da mesma forma
que quando meditamos ou relaxamos profundamente, processamos - sempre de
forma homeopática e “digerível” - este material inconsciente,
acarretando uma profunda atuação no corpo físico,
na mente e nas emoções.
No caso dos esportes,
o Yoga considera, obviamente, saudável sua prática,
contanto que esta seja polivalente, isto é, que se pratique sem
exageros diversas modalidades. O uso unilateral do esporte, como no caso
do esporte profissional, acarreta em uma utilização
excessivamente especializada do corpo, ocasionando os
inúmeros problemas ósseos e musculares tão conhecidos
e temidos pelos atletas.
Neste sentido,
a musculação pode auxiliar na prevenção e na
minimização destes problemas.
O esporte, especialmente
o profissional, vem também, inevitavelmente, desenvolver
um profundo sentido de competição e de disputa, o que, dentro
da perspectiva do Yoga, é incompatível com o desenvolvimento
de um verdadeiro espírito holístico, universalista
e fraterno.
O Yoga pode ser
de extrema utilidade para o esporte, alongando a musculatura
(prevenindo entorses e contraturas), proporcionando excelente condicionamento
cárdio-respiratório, promovendo consciência corporal,
ensinando a relaxar apropriadamente, e, principalmente, aumentando a concentração,
os reflexos, e o equilíbrio psico-emocional do atleta.
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