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Um
Amor de Três Séculos Uma
história de amor que se passou em Viena, no início do século
18. Mas os personagens vivem no Rio de Janeiro, no início do século
21. Será possível?
"Ele era
um militar do Império Austro-Húngaro. E eu era uma jovem
casada com um aristocrata da época", conta a
psicoterapeuta Célia Resende.
"Tinha
uma questão proibida entre a gente. A gente tinha um romance,
mas era proibido, porque ela era casada", acrescenta o
jornalista Ronie Lima.
"Isso
aconteceu em 1714, na Áustria", diz Célia.
A história
aflorou nas sessões de terapia de vidas passadas. Ronie sempre
foi curioso, mas precisou ver para crer. Em sessões separadas,
o casal descobriu ter vivido esse amor impossível.
"A gente
não podia ter aquela relação. Foi difícil e terminou
tragicamente com a morte dos dois", diz Ronie.
"Havia a
impossibilidade do nosso caso amoroso porque eu era casada. Meu
marido descobriu e houve um desenlace. Vamos dizer que houve um
duelo. Eu fiquei muito desesperada e acabei morrendo em conseqüência
disso", conta Célia.
"Esta
cena me marcou muito: eu olhava através da janela, com uma
tristeza muito grande, um peso muito grande pelo que tinha
acontecido. Foi uma cena triste e pesada", diz Ronie.
Mas por que
será que quem descreve essa outra vida está sempre passando
por situações difíceis, de muita dor e sofrimento? Para os
estudiosos, na terapia de vidas passadas, a resposta é simples:
as pessoas vão em busca de traumas e conflitos de uma vida
anterior para melhorar a vida atual. As descobertas de um outro
tempo ajudariam a superar os medos de agora. Mudar o que os
terapeutas chamam de "padrão" para não repetir os
erros da vida que ficou para trás.
A personagem
dessa história de amor também ajuda outras pessoas a mergulhar
no passado. Esse tipo de terapia é a especialidade de Célia.
"É importante pegar todos os fatos do passado que estão
atrapalhando a vida atual, deixá-los no passado, e seguir em
frente", aconselha a psicoterapeuta.
A fotógrafa
Christiane Malaquias autorizou a equipe do Globo Repórter a
acompanhar sua sétima sessão de terapia no consultório de Célia.
Ela foi em busca de respostas. Diz que, às vezes, sente como se
carregasse um enorme fardo. "Para mim é tudo difícil.
Parece que eu tenho que fazer alguma coisa maior, nunca é
leve", desabafa.
Christiane
experimenta um tipo de transe e, aos poucos, vai descrevendo
aquilo que sente para a terapeuta. Em algum lugar do passado,
ela é uma menina que vê a mãe ser morta, mas não consegue
ajudá-la. "Eu estou ali em cima gritando e eu acho que vão
jogar uma pedra nela. Não sei o que vão jogar nela. É, eu
estou gritando, eles ficam me segurando. Eu acho que são
soldados", relata.
A sessão
continua. Segundo a terapeuta, Christiane tenta evitar a situação
mais difícil, mas o enfrentamento é necessário.
"Eu vou
contar de cinco a um. Você vai deslocar a sua consciência de
volta ao momento em que os soldados a deixam deitada no chão",
orienta a psicoterapeuta.
Christiane
revive um momento doloroso. "Eu acho que eles estão me
matando", conta.
Por que
reviver situações tão dramáticas? Christiane acredita que
elas possam explicar as angústias que vive hoje.
"Na prática,
eu vou conseguir ser mais criativa, ter mais espaço e mais
vontade de fazer as coisas. Estou buscando fazer tudo, mas com
uma certa leveza e menos estresse", diz a fotógrafa.
Memórias de
uma vida passada ou pura imaginação? Como um terapeuta sabe se
um paciente está descrevendo uma história que ele teria vivido
ou fantasiando essa história?
"Não
cabe ao terapeuta julgar nem avaliar se é real ou não. Cabe ao
terapeuta explorar o máximo, no sentido de dar comandos para
que a pessoa possa penetrar mais profundamente na experiência e
colher o máximo de sentimentos e de compreensões",
esclarece Célia.
A ciência
ainda tem dúvidas sobre este tipo de tratamento. Já os
terapeutas de vidas passadas têm certezas. Eles acreditam que
até as compulsões – comer demais, beber demais – possam
ter origem em outras vidas.
"Quando
você age 'escolhido', por algo que não sabe de onde vem, isso
é o seu inconsciente", diz Célia.
Célia e
Ronie sentiam que alguma coisa atrapalhava a vida dos dois. Só
não sabiam o que era. Acreditam que a regressão ajudou a
identificar o problema: um medo inexplicável, que seria conseqüência
da tragédia que eles dizem ter vivido.
"Não
tinha mais sentido no presente, mas a gente continuava
carregando essa sensação", comenta Célia.
E
mesmo com uma história de amor que pôde ser revivida 300 anos
depois, Célia e Ronie preferem não ser chamados de almas gêmeas.
Acham que ainda é cedo demais. Eles dizem que se conhecem há séculos.
"Mas o ser humano é muito amplo, a gente se conhece só um
pouco. Ainda falta muito, talvez no futuro", ressalva Célia.
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