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Terapia
de Vivências Passadas
No teatro de
nossas vidas individuais somos os escritores de nossas tramas e enredos. Talvez
não percebamos que cada ação ou escolha é como
plantar a semente para o futuro. A planta crescerá na exata proporção
da semente que foi plantada.
Assim, o primeiro passo a ser dado em conexão com a revisão de vivências
passadas é reconhecer que ninguém, exceto nós próprios,
pode ser responsável
pelas condições presentes em nossas vidas.
O intricado entrelaçamento
e interpretação de relacionamentos e eventos podem ser um
dos temas mais fascinantes para revisão em toda a vida de uma
pessoa. Quando sua vida estiver desequilibrada ou os eventos parecerem
fora de controle é chegado o momento de interrogar-se e verificar onde
está o real início dessa condição. Em uma terapia que envolve vivências
passadas o indivíduo aprende a questionar-se e a ouvir as respostas.
Ao tornar-se eficaz nessa técnica terá acesso àquela parte de sua
mente sempre que precisar de maior informação sobre si mesmo e sobre
a vida ao seu redor.
É possível
evocarmos lembranças ou conceitos de experiências de uma vivência
passada sem haver necessidade de uso de drogas ou quaisquer outros meios
artificiais. Temos um acesso mais fácil ao nosso inconsciente do
que imaginamos. É espantosa a informação que existe na mente
humana, não apenas para mim como terapeuta, mas também para
o indivíduo que experimenta uma nova parte de seu interior pela
primeira vez.
A parte mais importante
do processo de regressão consiste em aprender a confiar em
sua capacidade para um diálogo entre sua mente consciente e
a mente inconsciente. Essa confiança fica estabelecida quando, primeiro,
aprendemos a fazer os tipos certos de perguntas e, então,
desejamos aceitar as respostas que surgem na mente. É necessário
deixarmos de lado a parte cética da mente e permitir a nós
mesmos ouvir a resposta
interior. Para evocarmos tais lembranças não é preciso
acreditarmos na reencarnação, porque não importa realmente se tais memórias
são reais ou fantasiosas. Se elas emergirem de dentro, pertencem
a nós e podem dar claramente uma explicação para problemas relacionados
a circunstâncias atuais. O desejo de não emitir julgamento
quanto a tais respostas serem ou não corretas parece ser o único
pré-requisito para uma bem sucedida sessão de regressão.
A mente consciente
parece permitir o surgimento de lembranças específicas somente
quando estamos prontos para elas. É espantoso e incrível o poder para
contar histórias que jazem na mente de quase todo mundo. A história
vai emergindo, linha por linha, cena por cena, mas em ordem inversa, conectando-se
às experiências nesta vida somente depois da sessão
estar completa. Em geral, tais experiências fluem do inconsciente
acompanhadas por profunda emoção. O indivíduo nunca
sabe o desfecho final
da trama enquanto não chegar ao ponto solto em seu trauma. Também
fico sempre abismada ante o que vai surgindo enquanto a pessoa se submete
à regressão, porque nenhum de nós tem idéia
de como será o fim dessas sessões.
Com a lembrança
surge um profundo senso de alívio, pouco importando qual o tipo de
experiência que ficou oculta no passado. O efeito residual
é positivo, quase como o alijamento de uma carga mental que foi
carregada por tempo demais. Pouco a pouco, a experiência daquela lembrança
começa a ser integrada à existência atual, com inteira
naturalidade. Após certo período, o indivíduo percebe
que tem uma perspectiva diferente sobre uma determinada situação
ou relacionamento, que parece curar a presente situação.
O poder da mente é formidável. Com uma nova
perspectiva, tomamos novas decisões quase automaticamente e começamos
a reescrever nosso script de vida.
Numa sessão
de regressão todos são capazes de alcançar a informação,
até então
oculta, em um estado de vigília completamente natural. Essas sessões
duram geralmente cerca de uma hora e revelam informações
suficientes para atingir-se um ponto decisivo que esclarecerá condições
da vida presente, relacionamentos e padrões. Uma vez esclarecida a
chave para remover o bloqueio das questões ocultas, talvez descubra-se
que a informação se revela na época exatamente certa e apropriada
da vida.
Não devemos
nos preocupar se a informação surgida dessas sessões
é acurada. Caso seja parte de uma fantasia da pessoa, pertence a
ela, portanto é válida psicologicamente. Sendo assim, o que
quer que emirja do inconsciente
de uma pessoa pode ser sua percepção particular do que realmente
aconteceu. O importante sobre tais lembranças é a maneira
como se relacionam a eventos no presente. Se quaisquer dessas revelações
fornecer explicações ou esclarecer assuntos trata-se de uma experiência
produtiva.
A finalidade da
regressão não é lisonjear o ego, mas sim esclarecer e expressar os
medos, restrições, culpas e eventos às vezes maléficos
de vivências passadas, a fim de serem feitas escolhas mais adequadas no aqui e agora.
Quando a pessoa está plenamente consciente desperta a perspectiva,
vê tudo através da perspectiva do aqui e agora.
As sessões
de regressão eliminam muito trabalho duro, porque as liberações
física, mental e emocional são espontâneas e continuam
beneficiando muito tempo após terminada a terapia. A sessão de regressão,
no entanto, só é viável se conduzida com a séria
intenção de examinarmos
padrões psicológicos, a fim de ser adquirida uma melhor qualidade
de vida, bem como uma melhoria nos relacionamentos e, eventualmente, um
mundo melhor.
Os registros akashikos
contêm informações sobre os pensamentos, atos e atitudes
de cada pessoa através de toda a história. Tais registros
existem em alguma esfera ou nível de energia não prontamente disponíveis
a todos nós. Contudo, a inteira história do coletivo humano
e da atividade individual está lá para ser alcançada
sempre que alguém encontre a chave
que se ajusta à fechadura.
Somos ditosamente
inconscientes do que podemos ter realizado no passado até
o dia em que pudermos manejar essa informação sem que ela se torne uma
ameaça à nossa sobrevivência. À certa altura
de nosso desenvolvimento o eu superior ou consciência da alma faz
com que nos tornemos curiosos sobre questões invisíveis.
Muitas vezes a jornada começa como resultado de uma dor que não
podemos conciliar ou compreender.
Aprendemos a meditar,
que, na realidade, é um processo de aquietar o cérebro consciente,
tão valioso em proteger-nos da verdade, até que alguma sinalização
interior nos diga que estamos prontos para sabermos mais. Em nossa jornada interior é o cérebro consciente que faz
as perguntas práticas, que observa e assimila o conhecimento. Entretanto,
o cérebro inconsciente tem muitas respostas estocadas, que só
emergem na quietude necessária para serem ouvidas em um nível
superior. Aprender a dialogar com o inconsciente é tão simples
como aprender a fazer as perguntas adequadas e ouvir as respostas que vêm
de dentro.
Certas pessoas
parecem ter um acesso mais fácil do que outras à informação
contida no inconsciente. Em determinadas sessões de regressão
a informação flui, em outras, temos que nos empenhar bastante
para facilitar o fluxo de informação que parece retido ou
sepultado no interior. A nossa função é manter a pessoa
na trilha certa, fazendo-lhe perguntas que a levarão
às próprias respostas. Se estamos seguindo a trilha certa,
ela pode corrigir nossas percepções apenas ligeiramente para esclarecer com
exatidão como é que experimenta uma dada situação.
O importante é
não deixar a mente divagar, saindo do ponto crucial, uma vez que
após duas ou três horas a pessoa pode ficar cansada. Parece
que a duração do tempo é exata para fazer emergir
uma determinada dose de informação concernente a uma vivência
passada. O equilíbrio do trabalho entre o hemisfério consciente
e inconsciente da mente centraliza e permite que a informação
flua.
É importante
que o indivíduo deixe escapar somente aquilo com que é capaz
de lidar no momento. Neste sentido, o prático cérebro consciente tem uma função
inestimável, uma vez que esta parte analítica da mente atua
como guardião dos portais do inconsciente. O indivíduo deve
confiar na função de seu cérebro consciente certo
de que só liberará o que for adequado
ao momento.
A instrução
mais importante dada por nós, terapeutas, é que o indivíduo
deve procurar
confiar em sua fantasia mesmo que julgue estar inventando uma história,
devendo seguir essa linha do instinto. Poderá modificar a história
quantas vezes for necessário para contá-la direito. Seus sentimentos
têm muito a ver com o fato de a história ajustar-se bem à
ele ou não. Se, na realidade, todo o processo for simplesmente fantasia, a fantasia pertence
à pessoa. Ele seleciona uma dada situação, cenário
e roupagens inteiramente por acaso, que não se trata mais de
acaso quando a sessão termina.
A revisão
de uma vivência passada pode ajudar um indivíduo a ver onde e como desenvolveu
certos julgamentos que o limitam no presente. Essas recordações
são muitos subjetivas. Talvez sejam significativas apenas para a
pessoa que as revive. Permanece o fato de que as memórias extraídas
causam não apenas um profundo senso de alívio, mas também
uma atitude modificadora de vida.
As regressões
parecem ter sido particularmente proveitosas no trabalho de recuperação
de alcoólatras ou drogados. O vício não apenas aconteceu na
vida presente, mesmo existindo uma causa genética, mas pode sim
ter sido desenvolvido no decorrer de muitas vivências passadas, quando
as drogas ou o álcool foram utilizados como forma de
apagar o sofrimento. Esta perspectiva parece dar ao alcoólatra ou
drogado a aptidão de perdoar a si mesmo, além de lidar com o problema resultante
do vício. Na maioria dos casos, para a solução dos problemas
que podem ter levado séculos desenvolvendo-se, fica claro que
não há tempo melhor do que o presente.
"Abençõe
seu inimigo, pois ele permite que você cresça" Escolhemos, então,
determinados pais e mães, irmãos e irmãs, bem como estilos
de vida que possam ajudar o nosso progresso ao longo da senda,
ao invés de retardá-lo. Por vezes, dificuldades e dureza
são a única maneira de podermos reconciliar o equilíbrio
cármico. Infelizmente, parecemos efetuar nosso aprendizado em meio ao sofrimento,
restrição, limitações e dificuldades.
De qualquer modo,
é raro reconhecermos a criação de uma dada condição
ou nos responsabilizarmos
por ela. Em vez de atirarmos a culpa em outras pessoas
ou condições, se começarmos a interrogar-nos sobre
o que iremos aprender ante uma determinada situação estaremos à caminho
de progredir. O perdão se segue à responsabilidade. Geralmente
há uma dívida a ser paga ou uma lição a ser
aprendida. O perdão a si mesmo atua
como o mais potente agente curador de todos. Essa auto-absorvição
nasce de uma postura de responsabilidade e não de rejeitarmos
nosso papel em uma interação com uma pessoa ou situação.
A sessão
de regressão tem um proveito duradouro por um número incontável
de anos, já que a informação continua a subir à
superfície durante muito tempo depois de realizada a sessão,
sem qualquer instigação por parte do
indivíduo. O processo de integrar essa informação
à vida diária começa assim que a sessão termina.
Após as sessões, a perspectiva é a coisa
mais importante a mudar na vida do indivíduo. Os padrões
e dados que foram reordenados na sessão de regressão fazem
com que a pessoa viva a sua vida de uma forma diferente, simplesmente porque ela começa
a tomar tipos diferentes de decisões.
Regras básicas:
1. A linguagem
no tempo presente o mantém envolvido emocionalmente na cena, sendo
extremamente importante como parte da combinação
para abrir a sala de arquivos do inconsciente.
2. Acredite em
tudo que brotar de sua mente, mesmo que não faça sentido no momento. Deixe
de lado a mente crítica e confie em sua intuição.
3. Elimine de
seu vocabulário a palavra lembrar, porque lembrar (ou recordar)
empurra as coisas normalmente para o passado, em vez de situá-as
no presente.
4. Descreva os
eventos o mais detalhadamente possível. Os detalhes manterão
ocupado seu cérebro consciente, a fim de que o inconsciente possa
liberar a informação que lhe é necessária.
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