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Nós Somos o
Que Comemos
Certamente você
já ouviu isso alguma vez na vida. A relação
entre o que somos e o que comemos passa pelas dimensões
física, psíquica, simbólica e espiritual. Se estamos gordos
ou temos espinhas, vamos a um médico e ouvimos dele
que devemos evitar comidas gordurosas. Se temos úlcera
ou gastrite, devemos evitar ingerir substâncias que, como o café
e o chocolate, levam o estômago a exagerar na produção
de secreção ácida. Isso é físico.
É interessante
perceber o quanto os sintomas físicos refletem estados de espírito:
a gastrite, por exemplo, é um problema típico de pessoas
que trabalham sob grande tensão e em ambiente competitivo.
Estas pessoas, além de evitar consumir determinados alimentos, devem
se proteger contra a "acidez" do seu dia-a-dia. Já a obesidade,
a não ser quando causada por fatores genéticos, comumente
está associada à compulsão que o indivíduo
tem de ingerir alimentos como se eles fossem suprir as suas demais carências.
O mesmo acontece
com o alcoolismo ou a dependência de drogas. Todo mundo já
deve ter se flagrado olhando para dentro da geladeira
e se perguntando o que estava procurando ali dentro. Às vezes
não sabemos nem se o desejo é por um sabor doce ou
salgado. Se neste momento paramos para refletir, percebemos que
na verdade não estamos com fome, e sim com uma
sensação de vazio, uma ansiedade que se camufla sob a
forma de gula.
Tudo o que ingerimos
(ou deixamos de ingerir) irá refletir na nossa saúde
de alguma maneira. Do ponto de vista holístico, este raciocínio
se encaixa também nos demais campos da vida. Tudo
o que absorvemos passa a fazer parte de nós, e por nós será
devolvido ao mundo. O ato de se alimentar é uma forma de conexão
com o todo, com o Universo. As religiões
fazem inúmeras referências à alimentação,
com proibições e recomendações.
No judaísmo, por exemplo, este é um dos pontos mais importantes.
No livro "A Dieta do Rabino - A Cabala da Comida", o Rabino Nilton Bonder
explica que, para os rabinos, a obesidade pouco
tem a ver com o conceito magro/gordo, e sim com o de
leve/pesado. "Obeso é aquele que é pesado em diversos níveis.
Para tratá-lo, os rabinos se detêm na explicação de que DIETA
não é REGIME. Dieta não é para se ficar mais
magro, mas sim para
ficar mais leve. Regimes são sacrifícios e renúncias
vazias, enquanto a dieta é uma nova visão pela qual se vive",
afirma Bonder. Quando fazemos regimes, mais cedo ou mais tarde
sofremos recaídas. A cada recaída, os hábitos que
desejamos combater ficam mais fortes e acabamos nos distanciando ainda
mais do objetivo. O resultado é que até o regime se torna um hábito.
Já manter uma dieta é estar em sintonia com a vida, é
internalizar a idéia da troca com o Universo.
Segundo o rabino,
tudo indica que o ideal bíblico era o vegetarianismo.
De acordo com a Bíblia, Adão não tinha permissão
para alimentar-se de animais. "Veja, Eu te ofereço toda a semente ou planta que
se arrasta no solo... E a todos os animais da terra, a todos os pássaros
dos céus, e a tudo que se arrasta pelo chão... entrego as plantas
verdes como alimento" (Gên. 1:29). Porém, no tempo dos filhos
de Noé, a carne foi permitida, pois foi dito: "E toda criatura viva
será tua para alimento" (Gên. 9:3). Assim, somente após o dilúvio,
com a cobertura vegetal da terra totalmente alterada, surge a permissão
para o abate animal.
Os adeptos do
vegetarianismo não se sentem impedidos de comer carne. Eles simplesmente
preferem não fazê-lo, por uma questão
de consciência, uma opção pessoal. Definiram sua
dieta assim porque consideram a forma de vida animal próxima demais
da sua, e consomem, no máximo, produtos obtidos de animais
vivos (leite e ovos). É desta
forma que se sentem íntegros na sua troca com o Todo.
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