|
Thelema
e a Verdadeira Vontade
As palavras gregas
Thelema (QELHMA, Vontade) e Agape (AGAPH, Amor) são o sustentáculo
da Corrente 93, um sistema filosófico fundado pelo notório
Magus inglês Aleister Crowley, e desenvolvida por vários estudantes,
exercendo vasta influência mesmo entre seus detratores. O número
93 é o resultado da soma dos valores numéricos das letras
que compõe estas palavras, de acordo com a Qabalah Grega. De acordo com a Gematria
-sistema qabalístico de conversão de letras e palavras em
números, origem da Numerologia moderna ocidental, todas as palavras
que resultam em números idênticos são conexas.
A filosofia de
Thelema evidencia tal conexão entre Vontade e Amor como sendo aspectos
distintos de um mesmo princípio. Os dois principais axiomas thelêmicos
detalham a relação entre Amor e Vontade: “Faze o que tu queres
há de ser tudo da Lei”; e “Amor é a lei, amor sob vontade”.
Para bom entendedor um pingo é letra, portanto as emanações
subjetivas destas frases não necessitam de explicação
intelectual para serem corretamente compreendidas.
A Verdadeira Vontade
é o mesmo que o Tao, ou o Dharma. É o real
Caminho do Destino de alguém, seu potencial de existência e de ação.
Cada ser humano é uma estrela, girando em sua própria órbita,
e não um planeta girando em torno de uma estrela. A mensagem da
tão decantada Era de Aquário, entendendo-se a mesma como
um período de (r)evolução espiritual, enfatiza a dissolução
do ego coletivo
e o fortalecimento do ego individual. Se cada um de nós é um Deus
(não o Deus), cada um de nós é uma estrela e gira em torno de si
mesmo, criando uma órbita particular. Assim, o desenvolvimento
espiritual só pode se dar quando o indivíduo descobre o seu
próprio caminho, o qual será necessariamente único e indivisível
– o que revela a fragilidade dos sistemas religiosos em geral, que
procuram unificar os seres humanos através de regras de conduta blasfemas
e artificiais, que ferem a individualidade e a divindade
do Homem.
Todos os mitos
religiosos, sejam Cristãos, Muçulmanos, Budistas, Afro-Brasileiros,
todos eles têm seu valor e beleza. Mas a relação
do Adepto com estes deve ser direta, sem intermediários, sem bulas
redigidas por outrem. Por melhor que seja a intenção destes criadores
de leis espirituais, o resultado final é turvar a liberdade de experiência
do estudante. E o que acontece quando se reprime a experiência
como fonte de pesquisa? Anda-se em círculos. A Ciência
não seria o prodígio que é hoje em dia se não
fosse a atitude cética e experimental de seus praticantes – muitos
dos quais já pararam
na fogueira em tempos medievais por causa de sua convicção
em descobrir a Verdade.
Muito bem. A Verdade
é obrigatoriamente ligada à Verdadeira Vontade. Existem várias
facetas da Verdade, o que cria múltiplas (e igualmente
válidas) verdades. Bem como há várias maneiras de se exercitar
a Mentira em pequenas mentirinhas cotidianas que formam um todo. Esta é
uma forma de se construir escravos, lembrando-se que a Humanidade divide-se
em príncipes e escravos: os primeiros
estão em plena prática de sua Verdadeira Vontade (seja de forma
consciente ou inconsciente), enquanto que os outros são planetas
girando em torno de alguma estrela, a qual pode ser um vampiro humano
ou não-humano. E observando-se também que a Mentira pode
ser um Bem tanto quanto um Mal, o mesmo valendo para a Verdade. O Maniqueísmo
é francamente contrário a qualquer compreensão clara
de abstrações filosóficas tanto quanto do pensamento
científico, já que relativiza as coisas como boas ou más
- o que vem a ser no mínimo ingênuo, já que se sabe
que da mesma substância que envenena pode-se criar o antídoto.
Na Era de Aquário,
ou Aeon de Horus, o indivíduo é o foco da transformação,
partindo naturalmente para uma mudança coletiva. O que vem ocorrendo
até agora tem sido a busca da transformação das massas, através
de um trato com o ser humano como se este fosse gado, sem individualidade
ou diferenças. Contudo, cada ser humano é único,
e a ecologia - em seu sentido mais amplo - depende do respeito incondicional
e estímulo à individualidade, para que assim cada ser humano
cumpra sua real função na engrenagem planetária, sem disfunções
ou distorções.
A evolução
coletiva caminha rumo à individualização, pois se
cada um se der ao
trabalho de se autogovernar, antes de tentar governar a si
através dos outros, estaremos entretidos cada um com seu próprio
processo de evolução, não sobrando tempo nem espaço
para as comuns intromissões de outrem - em forma individual, social,
política e religiosa.
|