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Astrologia

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Natal: Origens e Simbolismo

Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel” (Isaías, VII,14).

Essas foram as palavras ditas pelo profeta bíblico há aproximadamente setecentos e cinqüenta anos antes do advento da Era Cristã, prevendo a vinda daquele que se tornaria um dos deuses mais cultuados do ocidente em todos os tempos. A mulher que conceberia tal divindade teria que ser de uma pureza extrema, uma alma também iluminada. Por apresentar tais qualidades, a jovem Maria, filha de Ana e Joaquim, foi a escolhida, sendo então, de acordo com as escrituras sagradas, fecundada pelo Espírito Santo. O nascimento de Jesus, no entanto, é algo ainda cercado de mistérios, já que não foi documentado com precisão. Fatos narrados, como o episódio dos pastores guardando seus rebanhos no campo, não batem com a data  proposta, e a confusão quanto ao local da natividade também se faz presente, pois os evangelhos não coincidem quanto a isso (Mateus fala de uma casa; Lucas de um estábulo; e outros, na sua maioria apócrifos, mencionam uma caverna, cujo simbolismo está relacionado a ritos de iniciação).

A tarefa de descobrir a verdadeira data do nascimento do Cristo é das mais complexas, pois além do fato de seus próprios discípulos não terem se preocupado em registrá-la (aliás isso é muito comum em se tratando de avatares), há diferenças entre os calendários utilizados na época e os de agora. O que se sabe é que os cristãos primitivos a comemoravam através de um festival realizado em maio ou, por vezes, em abril e, em outras ocasiões em janeiro. De acordo com antigas tradições da Igreja, as datas mais cotadas seriam o vinte de maio, o dezenove de abril (esta segundo Clemente de Alexandria) e o vinte de abril. Existem, no entanto, outras que também são levadas em consideração: vinte e oito de março, vinte e nove de maio e seis de janeiro.

Há pouco, um cientista britânico, fazendo uso de estudos astronômicos chegou à conclusão que Jesus Cristo teria nascido em quinze de setembro do ano 7 a.C. O mapa astrológico levantado a partir desses dados, deve, contudo, ser analisado com atenção, pois apresenta posicionamentos muito condizentes com sua vida e missão. Apesar dessa polêmica toda, o fato é que a vinda ao mundo daquele que estaria destinado a sacrificar-se em nome de toda a humanidade é comemorada no dia vinte e cinco de dezembro, um dia muito especial e significativo. Todos os grandes avatares paridos por virgens surgiram nessa data e, segundo uma lei espiritual ou cósmica, um redentor ou salvador não pode nascer em nenhuma outra ocasião (na grande maioria das antigas religiões, os deuses ou seus filhos vieram ao mundo através de mulheres ditas puras e imaculadas: Krisna nasceu de uma virgem chamada Devaki; Buda, de uma chamada Maia ou Maria; Lao-Tsé, de uma virgem negra; Hórus de Ísis; e assim o foi com Rá, Zoroastro, Codom, Quetzalcoatl e tantos outros).

Na verdade, o natal, do latim natalis, é o dia do solstício de inverno no hemisfério norte, época em que os dias começam a crescer novamente em relação às noites, e o ressurgimento do Sol era comemorado em quase todas as culturas da Europa, Ásia e também no Egito. Na Índia e na China, nesta época do ano, aconteciam festivais religiosos muito antes da Era Cristã. No Egito, se fixava a data da gravidez de Ísis nos últimos dias de março (equinócio de primavera) e, em fins de dezembro, os egípcios celebravam o nascimento de Hórus. Em Roma, também muito antes do nascimento de Cristo, realizava-se em vinte e cinco de dezembro uma festa chamada Natalis Solis Invicti (Natalício do Invencível Sol) em homenagem ao deus solar Mitra, quando então o trabalho era suspenso, declarações de guerra e execuções eram adiadas, e presentes eram trocados entre amigos e parentes (as Saturnais, festividades em homenagem a Saturno, aconteciam também por volta do solstício de inverno, possuindo algumas similaridades com a festa de Mitra). Os antigos escandinavos a essa época celebravam a noite-mãe ou Jul, festa em honra a Freyr, filho de Njörd e Nerthus (aqui também havia o costume de se trocar presentes). Os germanos por sua vez comemoravam esta data através de uma solenidade chamada Festa do Yule, onde todos os contratos eram renovados e os deuses consultados sobre os acontecimentos futuros. Não se pode deixar de mencionar os druidas da Grã-Bretanha e Irlanda, que nesse dia acendiam fogueiras no alto das colinas, assim como os gregos, que celebravam também nesse período o nascimento de Héracles.

Para combater a concorrência dos deuses pagãos, principalmente o deus indo-iraniano Mitra, muito popular entre as classes oprimidas (o Mitraismo, assim como o Cristianismo, era uma religião que visava os desprivilegiados da época: escravos, pobres, mulheres etc) e aproveitando o fato de que os grandes avatares nasciam no solstício de inverno, a comunidade cristã reunida em um concílio no século V de nossa era decidiu fixar para o nascimento de Jesus, o dia vinte e cinco de dezembro ou a meia-noite do dia vinte e quatro, e assim surgiu o natal.

O mapa astral de um avatar nascido nesta data e hora é extremamente significativo, e para ilustrar tal fato, tomemos como exemplo o próprio Cristo. A princípio temos a questão da volta do Sol, ou seja, da luz, o ser iluminado. O signo que ascende no leste às vinte e quatro horas do solstício de inverno no hemisfério norte seria Virgem, dando a nítida idéia do nascimento a partir de uma virgem; Libra na segunda casa mostra a necessidade de compartilhar, ou mesmo abrir mão dos bens materiais; Escorpião na terceira indica a profundidade de seus ensinamentos; Sagitário na quarta mostra o deslocamento de Maria grávida para Belém e depois as constantes viagens para fugir dos soldados de Herodes, mas há quem arrisque uma provável descendência alienígena (um anjo ou extraterrestre teria através de inseminação artificial colocado um óvulo fecundado no útero da mãe de Jesus); Capricórnio na quinta casa indica uma grande responsabilidade e até uma certa abstinência em relação aos prazeres da vida (Jesus também trabalhou com seu pai José quando criança); Aquário na sexta diz respeito a vida de homem livre que levou exercendo o seu trabalho (depois dos trinta), a pregação; Peixes (signo da exaltação de Vênus, o planeta do amor) na sétima mostra claramente o amor descompromissado e fraternal que tinha em relação a todos; Áries na oitava está relacionado com a morte violenta; Touro na nona casa mostra a forma simbólica com que passava seus ideais, ou seja, através de parábolas, usando na maioria das vezes exemplos relacionados à terra e a questões envolvendo dinheiro, bens materiais e trabalho; Gêmeos na décima indica um homem que teve por profissão, ou melhor dizendo, missão, a comunicação, a palavra, o ensinamento; Câncer na décima primeira diz respeito à forma como tratava seus amigos e seguidores: como uma grande família; e finalmente Leão na décima segunda casa mostra a dissolução do ego em função do todo, o sacrifício do homem em nome de toda a humanidade (fato que associa Cristo ao Arcano XII do Tarot, “O Pendurado”, ou “O Enforcado, um tipo de bode expiatório e/ou vítima sacrificial).

O astro-guia, que poderia ser um cometa, uma estrela, ou mesmo uma conjunção de planetas (provavelmente Júpiter e Saturno) se encontrava no Meio-do-céu, em Gêmeos, signo de Hermes e Mercúrio, deuses psicopompos, condutores de almas, que velozes, com asas nos capacetes e calcanhares levaram os três reis magos até o deus-menino (existia a crença, principalmente entre os antigos magos, astrólogos ou sacerdotes, que o nascimento de um avatar ou líder que se tornaria um salvador era anunciado por um grande astro no céu).

Ao natal estão associados alguns parâmetros que devem ser mencionados pela sua importância. Um deles é a árvore, cujo significado simbólico é muito rico. Em muitas culturas, a mesma é representada como centro e sustentáculo do cosmo, como o freixo Iggdrasil, da Mitologia Nórdica, cujas raízes, estão localizadas nos três mundos: Niflheim (mundo ctônio), Jötunheim (mundo terrestre) e Asgard (mundo celeste). Sendo assim, através de sua verticalidade, pode ser relacionada com uma escada, capaz de conduzir o homem do inferno ao Paraíso, do pecado à salvação. Além do mais, em pleno inverno (hemisfério norte), a árvore de natal está sempre verde, simbolizando o renascimento, ou ainda, a redenção. Os adornos (bolas vermelhas, douradas, etc) dizem respeito às maçãs da árvore da vida e/ou do conhecimento, podendo estar também relacionadas com os pomos de ouro do jardim das Hespérides, cuja função é trazer consciência.

Outro símbolo típico do natal é papai Noel ou São Nicolau, ou ainda Santa Claus, que com seu trenó puxado por renas, distribui presentes para as crianças. Tal fato se deve a acontecimentos da vida do Santo padroeiro da Rússia. Segundo a tradição cristã, depois da morte de seus pais, cedeu sua herança aos pobres. Também a ele é atribuída a doação de dotes às filhas de famílias pobres. A sua façanha maior, porém, se deu quando então bispo da Lícia (Ásia Menor), convenceu os tripulantes de uma esquadra que se dirigia a Alexandria, a doar os carregamentos de cereais aos esfomeados lícios, assegurando que se o fizessem, quando chegassem ao seu destino, encontrariam nas despensas dos barcos a quantidade original de grãos. Atendendo ao pedido do sacerdote, os marinheiros ao chegarem no Egito verificaram que o mesmo havia dito a verdade, e diante de tal milagre, converteram-se ao cristianismo.

Desta forma, pode-se perceber que o natal, muito mais do que uma festa onde as pessoas se reúnem com o intuito de comer, beber e trocar presentes, influenciadas por uma mídia voltada para o consumo, traz nas suas origens a essência dos avatares, que de tempos em tempos, aparecem para salvar e redimir a humanidade, sacrificando para isso, suas próprias individualidades e porque não dizer, divindades.

Luiz Cláudio Moniz
Tel.:  (21) 2591-7572  ou  2538-1181 ( Rio de Janeiro - Brasil )
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