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Gêmeos:
Entre Vênus e Mercúrio
"Um dia em que estávamos com G., perguntei-lhe: - Por que o conhecimento se mantém cuidadosamente secreto? Por que ele não se torna propriedade comum? - Há duas respostas - disse-me. Primeiro, esse conhecimento não se mantém secreto; segundo, ele não pode, por sua própria natureza, tornar-se propriedade comum. O conhecimento é muito mais acessível do que geralmente se acredita àqueles que são capazes de assimilá-lo. Todo o mal é que as pessoas ou não querem ou não podem receber. O conhecimento é material; durante um certo período a humanidade dispõe de uma certa quantidade definida de conhecimento, da matéria do conhecimento."
(Pergunta de Ouspensky à Guardjieff)
Na
mitologia grega, Gêmeos é representado pelos irmãos Castor e
Póllux, nascidos da união de Lêda com Zeus, que, para
seduzi-la, transformou-se num cisne. Zeus reconheceu Póllux
como filho e lhe concedeu a imortalidade e Castor permaneceu
mortal, tido como filho do rei de Esparta, esposo de Lêda.
Independente da diferença de paternidade, eles cresceram unidos
por um profundo amor; eram companheiros, guerreiros de muitas
batalhas juntos, inclusive fizeram parte da expedição de Jasão;
eram eles uns dos argonautas.
Certa
vez, durante um combate, Castor foi morto e Póllux,
desesperado, rogou à Zeus que dividisse sua imortalidade com o
irmão. Assim foi feito, sob a condição de que enquanto Castor
passasse seis meses no céu, Póllux passaria na terra e assim
sucessivamente. Castor e Póllux são as estrelas mais
brilhantes da constelação de Gemini.
A
palavra Gêmeos significa unidos, geminar, reunir; tarefa deste
signo entre o espírito e a matéria. Gêmeos rege a casa III no
mapa astrológico – setor da comunicação, do conhecimento e
interação pessoal com o meio, é também a casa dos irmãos e
companheiros de alma. Seu elemento é o ar, conectado com o
plano do pensamento, idéias, intelecto; faz parte do modo mutável,
que tem a função de produzir um fluxo constante de energia, de
distribuição de energia. Em Gêmeos, essa função se realiza
no plano da inteligência, através da mente. Gêmeos é duplo,
é dual, e sua tarefa está em reunir dados, elaborar conceitos
e expressá-los.
Através
de Mercúrio, seu planeta regente, ele trabalha com a
dualidade através do foco de opostos, de forma conflitante,
despertando a mente, causando polêmica, formando opiniões e
conexões. Mas, na verdade, quem tem a função de harmonizar
esses opostos é Vênus, seu planeta regente no nível da
alma. Mercúrio atua através do IV raio (harmonia através do
conflito), que simboliza a luta da vida instintiva animal e a
vida consciente da alma, ocorrendo em nossas crises de reorientação.
Vênus atua através do V raio (conhecimento concreto),
raio da ciência e dos estudiosos; Vênus indica que o
amor ao conhecimento é que pode elevar o padrão da mentalidade
da raça humana, dando a compreensão do propósito espiritual
por trás de todo relacionamento.
Gêmeos
é o signo da multiplicação (tornar a ação múltipla –
consciência dos desdobramentos da ação) e dos
multiplicadores. Na Escritura, esta função é apontada quando
Jesus multiplica os pães e os peixes ("e após saciar à
todos, foram recolhidas as sobras para que nada se
perdesse" – LC IX, 12). Em Gêmeos essa multiplicidade é
válida aplicada ao plano espiritual, já que não basta
amontoar informações e conceitos sem a aplicação dos mesmos.
Gêmeos corresponde aos meios, e seu signo oposto, Sagitário,
corresponde aos fins – esse eixo exige medida entre a razão
geminiana e a ética sagitariana.
Os
antigos traçaram as medidas derivadas do corpo humano – o
polegar (polegadas), a mão (o palmo) - e na anatomia astrológica
Gêmeos rege as mãos, braços e ombros. Gêmeos se expressa
pelo alfabeto, e cada letra exprime uma medida mística
(cabala). Gêmeos tem o dom das línguas, da energia da palavra.
Portanto, com muitas responsabilidades quanto à transmissão do
conhecimento.
Em
certos períodos da evolução da raça humana há necessidade
de certos impulsos para que se atinja determinado nível, que
por si só seria impossível. Numa ocasião dessas, onde já se
havia feito o possível para acelerar o germe da mente, para
elevar o reino humano e o reino animal, a Terra se preparou para
receber os senhores da chama de Vênus – sob uma colocação
especial de planetas e considerando uma posição magnética da
Terra o mais favorável possível. Foram eles que despertaram o
intelecto no homem, vieram impulsionar o movimento do plano
mental (período Lemuriano, dezesseis milhões e meio de anos
atrás), até então éramos mentecaptos.
Portanto,
Vênus, vinculado ao V raio da ciência, não está destituído
de seu valor amoroso. Vênus tanto representa o amor romantizado
e sensual (regente de Touro e Libra), como em Gêmeos refina
esse amor à um plano afastado dos interesses emocionais ou físicos;
é o amor no companheirismo de alma. Gêmeos investiga,
pesquisa, questiona e ensina – Vênus empresta fusão, síntese
e energia amorosa aos seus processos racionais.
Neste
período, no céu, Gêmeos recebe a oposição do planeta Plutão,
que transita a 12º pelo signo de Sagitário. O eixo Gêmeos-Sagitário
se relaciona com a educação, com a mente superior, com a ética,
comunicação e valores filosóficos-religiosos. As questões
levantadas neste trânsito apontam os avanços científicos
(conhecimento/casa III) versus questões éticas (crenças/casa IX), como no caso dos clones
e alimentos transgênicos (vegetais e animais).
Plutão
é o planeta transformador, exigindo agora reformas na conduta
coletiva referente a crenças e padrões mentais (Sagitário),
como a aplicação inteligente e funcional do conhecimento (Gêmeos).
Somos responsáveis pela egrégoramental em torno do planeta;
somos uma gigantesca massa pensante emitindo formas-pensamento.
Precisamos oxigenar nossa função pensante. Plutão é
regenerador e sua atuação é acompanhada de intensas crises,
que curam e eliminam o que não serve mais. À nível
individual, podemos colaborar neste processo filtrando nosso
pensamento – que é causativo; examinando decretos e crenças;
e, sobretudo, cuidando da palavra, do uso construtivo dela.
A
vida se fez do verbo – a cura através dos mantras, orações
e encantamentos vem da pronúncia correta da palavra. Mais atenção
e seletividade é apontada ao nosso alimento mental, ao nosso
campo de instrução e a forma como enriquecemos (ou
empobrecemos) nossa função inteligente.
Na
mitologia grega, Hermes (Mercúrio) e Afrodite (Vênus) tiveram
um caso de amor. Dessa união nasceu Hermafrodita, um ser
completo enquanto reunia em si os dois aspectos da dualidade –
o masculino e o feminino. Talvez, em Gêmeos, Vênus e Mercúrio
atuem para aproximar cada vez mais o sentir do saber...
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